
Foto: João Filipe Matias/O Mensageiro
Num olhar muito superficial à cobertura efectuada pelos media locais à visita papal, de 11 a 14 de Maio, fica a ideia que a tradição se mantém, isto é, primeiro pensa-se no papel e só (eventualmente) depois, na web, no caso da imprensa.
Regista-se a excepção A Voz Local TV (Jornal de Lousada), do concelho de Lousada, distrito do Porto, cujo o único meio é o digital e, portanto, foi para aí que trabalhou. Notável a cobertura desenvolvida, se considerarmos que, segundo informações recolhidas, se trata de um projecto com apenas duas pessoas.
Declaração de interesses: o autor destas linhas é jornalista no semanário O Mensageiro.
Mais a sul, em Fátima, e os media circundantes, destaca-se, mais uma vez, um meio que opera unicamente na web, o Fátima TV, ‘obrigado’ a empenhar-se na cobertura da visita de Bento XVI, ora não tivesse ela ocorrido na sua área de intervenção. Vários videos, diários, foram produzidos. Já no que toca à imprensa, Notícias de Fátima e Notícias de Ourém, não registaram mais do que os contéudos pensados para a edição em papel.
Alargando o olhar, à região, apenas O Mensageiro e Região de Leiria rentabilizaram os seus espaços na internet. No primeiro caso – imprensa de inspiração cristã – destaca-se o facto de ter criado um blogue. Duas notas sobre ele: convergência de conteúdos, produzidos sobretudo pelos media nacionais, e aproveitamento das redes sociais. Importante aquilo que parece ter sido um não ignorar o que os outros fazem, isto é, encarar que têm mais e melhores meios e que não há necessidade de ‘fazer mais do mesmo’. Outro pormenor curioso foi o aproveitamento do Twitter, sobretudo através de um colaborador do jornal, padre, com uma maior proximidade dos acontecimentos, que foi partilhando informações e imagens sobre os mesmos. Já quanto ao semanário com maior tiragem no distrito de Leiria, mais experiente na produção de conteúdos multimédia, aparentemente não se mobilizou, como é habitual. Videos ou slideshows não foram, pelos menos até esta data/hora, colocados online. A criação de blogues, para o acompanhamento em directo, como fez aquando das eleições Autárquicas e Legislativas, não se verificou desta vez. No que toca a Jornal de Leiria e Diário de Leiria, o tradicional shovalware, que não acrescenta nada de novo.
Há tempos, li, algures, um estudo que referia que a preferência dos cibernautas, em jornais online, vai para os slideshows. É, de facto, uma potencialidade que a Internet tem e que rentabiliza o trabalho dos fotojornalistas. Um exemplo que os media locais e regionais podem aproveitar.
Nota final para a assessoria de imprensa. É certo que mais de dois mil jornalistas credenciados levaria a muitas solicitações e trabalho por parte da equipa do Ministério dos Negócios Estrangeiros e colaboradores. É, porém, de lamentar a atenção dada aos media regionais, quer na atribuição de espaços, sobretudo aos fotojornalistas, que puro e simplesmente não os tiveram, quer na prestação de informações. Pior do que ir rementendo, para outrém, exclarecimentos, é ignorá-los (infelizmente não foi só com os media regionais). Procedimentos a rever, no futuro.