Monthly Archives: Junho 2010

Local e Regional vs Local ou Regional

Um dia de debate sobre este sector, é a primeira nota de destaque, a que se junta, naturalmente, o próprio estudo. Da discussão surge a ideia de que é urgente distinguir-se imprensa local de imprensa regional. Um encontro que serviu também de ‘queixódromo’ – como alguém referiu – , com as mesmas referências de há 20/30 anos.

Sobre o ocorreu entretanto, importa sublinhar que pouco se falou de plataformas digitais. Esse foi, inclusivé, um desafio lançado por um jornalista presente: agora que a ‘radiografia’ está feita, importa perspectivar o que será da imprensa local e regional daqui a 10 anos, considerando as mudanças de paradigma que entretanto já ocorreram, como o aparecimento da Internet e dos dispositivos móveis.

Ficou ainda a ideia de que o dia poderia ter sido mais proveitoso, com um período mais reduzido de apresentações de capítulos do estudo, dados que os presentes tinham disponiveis no livro distribuido. Aproveitando a presença de algumas referências nacionais, das áreas académicas, políticas e económicas, poderia ter havido mais espaço para debate (fica a sugestão para iniciativas futuras).

Frases soltas

Azaredo Lopes, ERC:

Importa referir o peso da imprensa de inspiração cristã, entre os títulos regionais.

Fernando Ruas, Associação dos Municípios Portugueses;

A primeira coisa que os meios nacionais fazem, quando se trata de reduzir custos, é fechar delegações regionais. Daí a importância da imprensa regional, na defesa dos interesses colectivos.

Paulo Simões, Açoriano Oriental:

Dois dos maiores diários regionais estão nos Açores e na Madeira;

A imprensa regional está bem posicionada na cobertura das notícias que interessam às pessoas;

Os portugueses lêem pouco e mal. (…) Há jornais regionais a mais. (…) Haverá recursos mal aproveitados;

A violência doméstica não é só a pancada física, mas a que não se vê (psicológica). Na imprensa regional é igual (pressões).

Arons de Carvalho, professor universitário e ex-secretário de Estado para a Comunicação Social:

Não deveriam ser diferenciados, ao nível dos incentivos, estes dois tipos de imprensa [local e regional]?;

A generalidade da imprensa regional não tem independência do poder político.

João Palmeiro, presidente da Associação Portuguesa de Imprensa:

Afinal os portugueses não lêem pouco [sobre estudo europeu relacionado]! Compram é poucos jornais!

Pedro Costa, director do Jornal do Centro e d’O Algarve, Lena Comunicação:

O que é, como está e para onde vai a imprensa regional?;

Vinte anos depois, à excepção da questão do on-line, o ‘queixódromo’ é o mesmo!;

Olha-se para fora, que o problema está nos CTT, nas autarquias… em vez de se olhar para dentro (profissionalização);

Que nos últimos anos inovou?

É importante problematizar as regiões. (…) Fomentar a fusão de empresas. Importante esbater as ‘capelinhas’ que estão de costas voltadas.

Rui Mouta, departamento jurídico da ERC:

Não se prevê grande mudança na política de incentivos, nos próximos anos;

Não há um juiz que diga que há títulos a mais. Concerteza que cada um terá o seu lugar, o seu terreno de sobrevivência;

A proximidade é a ferramenta mais poderosa que a imprensa regional tem;

Com menos títulos podemos ter um sector mais consistente.

José Luís de Almeida Silva, director do Gazeta das Caldas:

Esta ideia que só os profissionais é que contam, está atrasada. Com os paradigmas que assistimos [Internet e participação dos utilizadores], vemos que não é assim!

Sugeria um estudo do que será a imprensa regional daqui a 10 anos. Porque não se falou no iPad e realidade digital? Como encaramos isso?

José Câmara, conselho de gerência do Diário de Notícias da Madeira:

Como vamos defender a imprensa regional dos poderes políticos? (…) Isto é um grito de alerta, porque o que se acontece hoje ao Diário de Notícias da Madeira [pressões], pode acontecer a outros!

Paulo Faustino, Media XXI, Consulting & Reseach e professor universitário:

Estamos num momento de redefinição de modelo de negócio. (…) Há excesso de dependência de publicidade.

Afonso Camões, presidente do conselho de administração da Lusa:

Nada neste estudo me surpreende! As coisas vão mal, mas já iam há 20/30 anos;

A lógica será mais digital, internet, e menos papel;

A imprensa regional acarinha o local, num período em que se olha para o global;

[Curioso que] vemos empresas que não diminuem postos de trabalho ou salários! Sobrevivem melhor estas empresas [imprensa regional], do que outras que por aí vemos!

Gabriel Francisco Rito, director do jornal da Moita:

A principal causa [do estado a imprensa regional] é sócio-cultural, na medida em que as pessoas não lêem, não vão ao cinema, ao teatro… (…) Numa perspectiva económica, há títulos a mais;

O nosso grupo não está nessa plataforma porque não dá receita. A Internet ainda não é rentável para esta realidade;

A proposta, possivel, de modelo de negócio é a distribuição gratuita.

João Campos, director do jornal Nordeste e Pressnorte:

As políticas que têm sido desenvolvidas falharam, como prova este estudo!

Acabou incentivo à contractação de pessoal, que permitiu, quando havia, que tivessemos contratado duas jornalistas que hoje estão no quadro;

Não queremos que nos dêem o peixe, mas que nos ajudem a pescar.

Alexandre Manuel, jornalista e professor universitário:

Continua a haver uma grande confusão, até do ponto de vista legislativo, do que é imprensa local e o que é imprensa regional;

Esta imprensa tem tido a capacidade de incluir jovens recém-formados;

1,5 milhões de exemplares de jornais da Igreja Católica que circulam por mês [n.r. autor desenvolveu tese de doutoramento sobre imprensa regional de inspiração cristã]!

José Piçarra, administrador do Diário do Sul:

É importante que os conteúdos locais e regionais cheguem às diferentes plataformas, nomeadamente, às digitais;

Já que temos a ‘radiografia’ [imprensa local e regional], levem-na ao médico rapidamente!

Alfredo Maia, presidente do Sindicato de Jornalistas:

[Verifica-se uma] tendência crescente na profissionalização da imprensa regional;

De que modo podem a imprensa regional e local escrutinar as políticas públicas?

A imprensa regional e rádios locais representam alavancas que devem ser consideradas!

Artigos relacionados:
“Estudo da ERC é contributo extraordinário para o conhecimento da Imprensa Regional”.
Imprensa regional deve optar por novos modelos de negócio.
Quase 50% dos portugueses lêem imprensa local.

Estudo “A Imprensa Local e Regional em Portugal”

Foto: Pedro Jerónimo/O Mensageiro

Para quem não teve a oportunidade de estar presenta na apresentação do estudo, partilhamos aqui o resultado do mesmo.

Jornalismo(s) de proximidade

Um vem de fora (Brasil), o outro de dentro (Porto). Duas reflexões que vêm reforçar a importância dos media locais e regionais, bem como do seu jornalismo de proximidade.

Diário de Aveiro assinala 25.º aniversário

Com um dia de atraso, aqui fica a referência de mais um aniversariante, entre os títulos regionais. “É urgente uma reforma liberal”, foi a mensagem difundida no editorial do Diário de Aveiro, comum aos títulos do grupo (este e este), que recentemente também comemoraram o seu aniversário.

Conferência sobre estudo realizado à Imprensa Local e Regional

09h30 – [Abertura] Apresentação geral do estudo A imprensa local e regional em Portugal

Oradores
Azeredo Lopes, Presidente do Conselho Regulador da ERC
Fernando Ruas, Presidente da Associação dos Municípios Portugueses
Paulo José de Sá Cunha Simões, Director do Açoriano Oriental
Administrador da Fundação Calouste Gulbenkian

10h30 – [Painel 1] Inquérito à imprensa local e regional e Diário de Campo

Apresentação dos dados do estudo
Pedro Puga, Unidade de Análise de Média da ERC

Comentadores
Alberto Arons de Carvalho, Professor universitário, ex-secretário de Estado para a Comunicação Social
João Palmeiro, Presidente da Associação Portuguesa de Imprensa
Pedro Costa, Director do Jornal do Centro, Administrador da Lena Comunicação
Rui Mouta, Departamento Jurídico da ERC

Moderadora
Estrela Serrano, Vogal do Conselho Regulador da ERC

Debate

14h30 – [Painel 2] Situação actual e modelos de negócio da imprensa local e regional: dados do estudo

Apresentação dos dados do estudo
Paulo Faustino, Investigador, Média XXI, Consulting & Research, Universidade do Porto

Comentadores
Afonso Camões, Presidente do Conselho de Administração da Agência Lusa
Gabriel Francisco Alves Rito, Director do Jornal da Moita
João Campos, Director do Jornal Nordeste, Pressnordeste

Moderador
Telmo Golçalves, Unidade de Análise de Média da ERC

Debate

16h00 – Intervalo

16h30 – [Painel 3] Conteúdos da imprensa local e regional: dados do estudo

Apresentação dos dados do estudo
Eulália Pereira e Catarina Páscoa, Unidade de Análise de Média da ERC

Comentadores
P. António Salvador dos Santos, Presidente da direcção da Associação de Imprensa de Inspiração Cristã
Manuel Madeira Piçarra, Director do Diário do Sul
Alfredo Maia, Presidente do Sindicato dos Jornalistas

Moderadora
Carla Martins, Unidade de Análise de Média da ERC

Debate

17h30 – [Sessão de encerramento] Apresentação do projecto Transparência da propriedade dos Media

Azeredo Lopes, Presidente do Conselho Regulador da ERC
Marques Guedes, Presidente da Comissão de Ética, Sociedade e Cultura da Assembleia da República
Jorge Lacão, Ministro dos Assuntos Parlamentares

Fará sentido?

A propósito disto, tive conhecimento do caso de uma publicação local, que já recebeu o aviso para liquidar 102 euros. Importa contextualizar, para se perceber a dimensão do que aqui se fala.

Trata-se de um jornal, propriedade de uma junta de freguesia, que o distribui gratuitamente. Está anotado na ERC, não aceita publicidade (como manda a lei), produz conteúdos informativos (não classifico como jornalísticos porque, face à lei, quem os produz não tem, porque não pode ter, carteira profissional). Apesar de não ser obrigado, publicou um compromisso (‘estatuto editorial’), para sublinhar que se regia por modelos éticos e dentológicos, pela Lei de Imprensa e Estatuto do Jornalista. A este facto não será alheia a presença, na edição da publicação, de uma licenciada em comunicação social, contratada (estágio profissional) prepositadamente para o efeito. Isto tudo –
convém lembrar – em contexto de crise.

Resumindo: uma autarquia que investe, por conta própria e sem qualquer apoio, na informação e na literacia da sua população, promovendo ainda a empregabilidade. Numa palavra: empreendorismo.

Posto isto, convém ainda referir que se conhecem vários casos, de autarquias locais, que também detém publicações, não anotadas na ERC, com conteúdos que por vezes são de promoção política/partidária e que contém publicidade (paga?)! Terá a entidade reguladora conhecimento da sua existência?

Fará sentido cobrar uma taxa de regulação a publicações que, como a referida, só têm despesa (não podem ter publicidade)? Só se fiscaliza quem paga? E quem actua à margem da lei? Continuar-se-á a ‘penalizar’ quem quer actuar de forma honesta?

Este é o retomar de uma velha questão: necessidade de diferenciar imprensa regional de imprensa local.

Actualizado a 7 de Julho de 2010, 18h45: Segundo informações recolhidas junto do mencionado título, a ERC entende que ‘faz sentido’ e, portanto, o mesmo vai ter de pagar os 102 euros, referentes à taxa de regulação.

Actualizado a 11 de Janeiro de 2012, 15h18: Quase dois anos depois e após vários pedidos de informação (cartas e telefonemas), a detentora do informativo local terá conseguido uma resposta da ERC: deverá pagar, urgentemente, cerca de 330 euros (102 euros x três anos + juros).

Quanto ao facto de existirem títulos não anotados e que têm publicidade, contrariamente a este caso que procura cumprir e lei, nem uma palavra. Melhor (ou pior), alguém terá sugerido que a mesma não seja cumprida.

Diário de Viseu comemora 13.º aniversário

Repetem-se os festejos e o editorial (ver também aqui), no dia em que o Diário de Viseu – integra o grupo Diário de Coimbra – completa 13 anos de vida.