Local e Regional vs Local ou Regional

Um dia de debate sobre este sector, é a primeira nota de destaque, a que se junta, naturalmente, o próprio estudo. Da discussão surge a ideia de que é urgente distinguir-se imprensa local de imprensa regional. Um encontro que serviu também de ‘queixódromo’ – como alguém referiu – , com as mesmas referências de há 20/30 anos.

Sobre o ocorreu entretanto, importa sublinhar que pouco se falou de plataformas digitais. Esse foi, inclusivé, um desafio lançado por um jornalista presente: agora que a ‘radiografia’ está feita, importa perspectivar o que será da imprensa local e regional daqui a 10 anos, considerando as mudanças de paradigma que entretanto já ocorreram, como o aparecimento da Internet e dos dispositivos móveis.

Ficou ainda a ideia de que o dia poderia ter sido mais proveitoso, com um período mais reduzido de apresentações de capítulos do estudo, dados que os presentes tinham disponiveis no livro distribuido. Aproveitando a presença de algumas referências nacionais, das áreas académicas, políticas e económicas, poderia ter havido mais espaço para debate (fica a sugestão para iniciativas futuras).

Frases soltas

Azaredo Lopes, ERC:

Importa referir o peso da imprensa de inspiração cristã, entre os títulos regionais.

Fernando Ruas, Associação dos Municípios Portugueses;

A primeira coisa que os meios nacionais fazem, quando se trata de reduzir custos, é fechar delegações regionais. Daí a importância da imprensa regional, na defesa dos interesses colectivos.

Paulo Simões, Açoriano Oriental:

Dois dos maiores diários regionais estão nos Açores e na Madeira;

A imprensa regional está bem posicionada na cobertura das notícias que interessam às pessoas;

Os portugueses lêem pouco e mal. (…) Há jornais regionais a mais. (…) Haverá recursos mal aproveitados;

A violência doméstica não é só a pancada física, mas a que não se vê (psicológica). Na imprensa regional é igual (pressões).

Arons de Carvalho, professor universitário e ex-secretário de Estado para a Comunicação Social:

Não deveriam ser diferenciados, ao nível dos incentivos, estes dois tipos de imprensa [local e regional]?;

A generalidade da imprensa regional não tem independência do poder político.

João Palmeiro, presidente da Associação Portuguesa de Imprensa:

Afinal os portugueses não lêem pouco [sobre estudo europeu relacionado]! Compram é poucos jornais!

Pedro Costa, director do Jornal do Centro e d’O Algarve, Lena Comunicação:

O que é, como está e para onde vai a imprensa regional?;

Vinte anos depois, à excepção da questão do on-line, o ‘queixódromo’ é o mesmo!;

Olha-se para fora, que o problema está nos CTT, nas autarquias… em vez de se olhar para dentro (profissionalização);

Que nos últimos anos inovou?

É importante problematizar as regiões. (…) Fomentar a fusão de empresas. Importante esbater as ‘capelinhas’ que estão de costas voltadas.

Rui Mouta, departamento jurídico da ERC:

Não se prevê grande mudança na política de incentivos, nos próximos anos;

Não há um juiz que diga que há títulos a mais. Concerteza que cada um terá o seu lugar, o seu terreno de sobrevivência;

A proximidade é a ferramenta mais poderosa que a imprensa regional tem;

Com menos títulos podemos ter um sector mais consistente.

José Luís de Almeida Silva, director do Gazeta das Caldas:

Esta ideia que só os profissionais é que contam, está atrasada. Com os paradigmas que assistimos [Internet e participação dos utilizadores], vemos que não é assim!

Sugeria um estudo do que será a imprensa regional daqui a 10 anos. Porque não se falou no iPad e realidade digital? Como encaramos isso?

José Câmara, conselho de gerência do Diário de Notícias da Madeira:

Como vamos defender a imprensa regional dos poderes políticos? (…) Isto é um grito de alerta, porque o que se acontece hoje ao Diário de Notícias da Madeira [pressões], pode acontecer a outros!

Paulo Faustino, Media XXI, Consulting & Reseach e professor universitário:

Estamos num momento de redefinição de modelo de negócio. (…) Há excesso de dependência de publicidade.

Afonso Camões, presidente do conselho de administração da Lusa:

Nada neste estudo me surpreende! As coisas vão mal, mas já iam há 20/30 anos;

A lógica será mais digital, internet, e menos papel;

A imprensa regional acarinha o local, num período em que se olha para o global;

[Curioso que] vemos empresas que não diminuem postos de trabalho ou salários! Sobrevivem melhor estas empresas [imprensa regional], do que outras que por aí vemos!

Gabriel Francisco Rito, director do jornal da Moita:

A principal causa [do estado a imprensa regional] é sócio-cultural, na medida em que as pessoas não lêem, não vão ao cinema, ao teatro… (…) Numa perspectiva económica, há títulos a mais;

O nosso grupo não está nessa plataforma porque não dá receita. A Internet ainda não é rentável para esta realidade;

A proposta, possivel, de modelo de negócio é a distribuição gratuita.

João Campos, director do jornal Nordeste e Pressnorte:

As políticas que têm sido desenvolvidas falharam, como prova este estudo!

Acabou incentivo à contractação de pessoal, que permitiu, quando havia, que tivessemos contratado duas jornalistas que hoje estão no quadro;

Não queremos que nos dêem o peixe, mas que nos ajudem a pescar.

Alexandre Manuel, jornalista e professor universitário:

Continua a haver uma grande confusão, até do ponto de vista legislativo, do que é imprensa local e o que é imprensa regional;

Esta imprensa tem tido a capacidade de incluir jovens recém-formados;

1,5 milhões de exemplares de jornais da Igreja Católica que circulam por mês [n.r. autor desenvolveu tese de doutoramento sobre imprensa regional de inspiração cristã]!

José Piçarra, administrador do Diário do Sul:

É importante que os conteúdos locais e regionais cheguem às diferentes plataformas, nomeadamente, às digitais;

Já que temos a ‘radiografia’ [imprensa local e regional], levem-na ao médico rapidamente!

Alfredo Maia, presidente do Sindicato de Jornalistas:

[Verifica-se uma] tendência crescente na profissionalização da imprensa regional;

De que modo podem a imprensa regional e local escrutinar as políticas públicas?

A imprensa regional e rádios locais representam alavancas que devem ser consideradas!

Artigos relacionados:
“Estudo da ERC é contributo extraordinário para o conhecimento da Imprensa Regional”.
Imprensa regional deve optar por novos modelos de negócio.
Quase 50% dos portugueses lêem imprensa local.

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5 responses to “Local e Regional vs Local ou Regional

  1. O ” O Povo Famalicense” é um jornal de informação local e de distribuição gratuita.
    Temos 10 anos de vida e como exemplo do sacrificio que temos em sobreviver a Câmara Municipal de V.N. de Famalicão e o seu presidente que é o último mandato que pode estar à frente do municipio, deixou logo que começou a exercer as funções neste mandato de enviar publicidade (mas não noticias) para o nosso semanário.
    O nosso semanário tem por principio a verdade na informação e as pressões politicas são sempre muitas.
    Fazemos distribuição de 15000 exemplares porta a porta nas 49 freguesias do concelho de Vila Nova de Famalicão.

  2. Pedro Jerónimo

    Caro Joaquim Ribeiro, agradecemos a partilha de informação, sempre útil para irmos conhecendo a realidade portuguesa.

  3. Pedro Jerónimo, agradeço a rápida resposta.
    A imprensa local é sem dúvida uma luta pela sobrevivencia,porque num meio como o de V.N. de Famalicão onde existem 4 semanário na ciadade, além de outro no concelho ( e já tivemos 7,só na cidade) e sabendo que 2 deles têm todos os editais da Câmara e os outros 2, que são o nosso e o Jornal de Famalicão.
    O mais grave é que os jornais apoiados fazem preços de publicidade mais baixos que os custos de impressão.
    Mas como digo à 10 anos na Associação Portuguesa de Imprensa a diferença é a melhor arma para sobrviver.
    Fui considerado como o bandido da imprensa local, por oferecer jornais e viver só da publicidade.Mas os assinantes não pagam e fazer jornais para 1000 ou 2000 leitores a 50% pagantes, não é viavel para ninguém, mesmo para a impressão, porque quanto mais jornais tiragem, mais barato fica.
    Agora para minha satisfação , já existem muitos semanários locais gratuítos de informação e vão existir cada vez mais.
    O problema é o de sempre, os CTT que levam muito dinheiro.
    Nós temos muitos leitores no estrangeiro, mas na Net, porque temos o jornal em PDF.
    Também pode ver em http://pt.wikipedia.org/wiki/Imprensa_gratuita, o nosso orgulho na informação local.

  4. Pingback: JORNALICES | Jerónimo blogging about Media & Journalism

  5. Gosto do título so seu blogue, média & jornalismo de proximidade.
    É esse o trabalho do nosso semanário (O Povo Famalicense).
    Todas as semanas levamos porta aporta as noticias em todas as freguesias de Vila Nova de famalicão.
    Trabalho arduo que só para 15 dias em Agosto, para recarregar as pilhas.
    O nosso trabalho é tanto de proximidade que levamos 4 dias e 617 km a entregar um a um, ao nossos leitores.
    Entregamos todas as semanas nos mesmos locais. Se falta o jornal os nossos leitores telefonam a perguntar a razão da ausencia do mesmo.
    Não temos locais de levantamento, além do escritório do semanário e um quiosque.Queremos a personalização da entrega, é dificil mas é o nosso orgulho.
    É pena que o estado não apoie os jornais gratuítos de informação.

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