Monthly Archives: Agosto 2010

“O elogio da Imprensa Regional”

“(…) Os grandes diários portugueses continuam a ser, ante do mais, jornais de Lisboa ou do Porto. Jornais que pouca importância dão ao que se passa para além das áreas urbanas destas duas cidades. Jornais incapazes de reflectir o palpitar da vida quotidiana das gentes das cidades e das aldeias da “província”. Uma província que, desde logo, pouco se interessa por tais jornais (…) J.M. Nobre Correia, Professor de jornalismo na Université Libré de Bruxelas in “A Cidade dos Média”.

A importância da imprensa regional ultrapassa largamente aquilo que se julga quando se olha o país e o mundo com a visão estreita do centralismo, a partir de Lisboa.

A imprensa regional mudou. Soube modernizar-se. Adoptou modelos empresariais mais dinâmicos e consentâneos com as novas realidades do nosso tempo. Profissionalizou-se e tornou-se um suporte informativo e publicitário de grande potencial.

Rosto humanizante e próximo do país real, a vocação da imprensa regional é o jornalismo de proximidade; são as notícias-de-ao-pé-da-porta, que escapam à grande imprensa generalista que, lhe garantem reconhecidos e invejáveis índices de fidelização de leitores.

No mundo globalizado, a imprensa regional é factor essencial de preservação das identidades – que a Europa tanto defende. Mas é também factor de enraizamento, porque liga as comunidades à sua terra de origem.

O conceito antropológico de região cultural aplica-se-lhe com inteira justiça, quando a mobilidade e errância da imprensa regional é capaz, como nenhum outro meio de comunicação, de vencer fronteiras e geografias na ligação às comunidades de lusofalantes.

Por tudo isto, a imprensa regional tem dado um contributo decisivo na promoção da coesão regional, bem como tem sido um estímulo à descentralização. Factores essenciais ao desenvolvimento harmónico do país.

meioregional.pt

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Será que são precisos mais?


Jornais diários. Regionais. No lançamento da apresentação do estudo da ERC, foram alguns os meios que replicaram o take da Lusa, que chamava a atenção para um ‘problema’: falta de diários regionais.

Das duas, uma: ou referem-se às plataformas digitais (o que não me parece), ou então não percebo!

Recordo que o referido estudo aponta os mensários e os semanários como os mais lidos. Por outro lado, não me parece que se verifique uma tendência de compra (já para não falar em leitura) diária, de títulos regionais e/ou locais. Refiro-me – claro está – ao papel.

E depois, parece-me uma falsa questão, quando cada título dispõe de pelo menos dois meios: papel e Internet. Quero dizer, esbate-se a ideia da periodicidade quando há o cibermeio – de actualização permanente (24/7). Na prática, todos os jornais locais e regionais, com respectivo website, são diários (ou pelo menos têm essa possibilidade)!

Não se trata, portanto, de falta de jornais diários (papel), mas sim do fraco aproveitamento da web por parte destes. Aliás, com aparecimento/melhoramento de multimeios, não faz qualquer sentido falar-se em periodicidade. Um Dário de Coimbra, um O Mirante, um Jornal do Fundão ou um Região de Leiria, são – ou deveriam ser – marcas de informação (ponto).

‘Caso Mário Crespo’ em versão regional?

Folheava esta manhã um jornal regional, quando alguém – via WWW – me alertou para um facto aí presente. Não dei com o dito cujo, mesmo depois de revirar as páginas do mesmo. Do ‘outro lado’ da rede a mesma coisa! Insanidade? Minutos, pesquisas e contactos depois, tudo ficou esclarecido.

Alguém leu na versão on-line (PDF) do título em causa um artigo de opinião em que alegadamente o autor anunciava – entre críticas – o fim da sua participação. Terá sido ainda anexado uma nota da direcção. Até aqui, nada de mais. A questão prende-se com o facto de tal não ter surgido na edição em papel – devido a um problema de paginação/impressão, segundo foi possível apurar. Acontece que a versão on-line o figurino era exactamente o mesmo – pelo menos até à hora em que escrevo estas linhas! terá sido alterada, isto é, foi retirado o PDF original (com o artigo de opinião), para que ficasse tal e qual a edição em papel (sem o artigo de opinião)!

Posto isto, levanta-se-me uma questão: Se de facto houve um problema com o meio papel, porque não foi potenciada a imediata correcção na Internet?

Sinal de que os títulos regionais não aproveitam os meios que têm? Avanço com um “às vezes”. Isto porque, ainda há poucos dias, o mesmo título deu prioridade ao meio Internet – incluindo redes sociais – para uma notícia de última hora.

Voltando ao título, foi o que me ocorreu quando soube do caso. Poderá ser exagero, mas fica o registo de que nem sempre os títulos regionais se lembram do (ciber)meio de que dispõem.