Monthly Archives: Outubro 2010

Futuro da imprensa regional dos Açores

O futuro da imprensa regional foi discutido ontem (dia 19) num colóquio em Ponta Delgada, nos Açores. A palestra integrava as comemorações do 175.º aniversário do Açoriano Oriental, o mais antigo jornal português.

Entre os oradores encontravam-se o director do jornal Açoriano Oriental, Paulo Simões e o  secretário regional da Presidência, André Bradford.

Aqui ficam algumas citações de ambos, retiradas do site da Rádio Horizonte Açores, onde se poderá ler a notícia na íntegra.

Paulo Simões

“Não podemos fechar o jornal em papel amanhã porque seria um erro estratégico brutal, mas também não podemos ignorar a Internet, temos é que saber condimentar a passagem do papel para a Internet”

“os jornais em papel não vão desaparecer, mas haverá uma separação entre projetos sérios, credíveis, profissionais e de qualidade e aqueles que são apenas jornais de vão de escada”

“Os editores, os chefes de redação, têm que descer um pouco à terra, olhar olhos nos olhos os leitores e perceber que a realidade que importa é a realidade local, é falar do que interessa às pessoas e não de questões mais ou menos esotéricas que interessam a meia dúzia”

André Bradford

“Embora não tenhamos ainda perdido as esperanças em ver a região tratada com o rigor e destaque merecido na imprensa nacional, não é na agenda dos média nacionais que um açoriano espera ver refletida a realidade da sua terra”

 

Links relacionados
“Jornal em papel não vai morrer mas tem de diversificar-se” (Açoriano Oriental)

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50 jornalistas compõem imprensa açoriana

“A União” publicou hoje alguns dados sobre a imprensa açoriana, divulgados pela Lusa. Aqui ficam alguns números:

  • 6 ilhas têm jornais (os Açores têm 9 ilhas)
  • Quantidade de publicações: 6 diários, 8 semanários e 3 mensários
  • Quantidade de profissionais (no total): 50 jornalistas, 4 estagiários e 142 colaboradores não remunerados
  • Salário: jornalistas profissionais recebem entre zero a 800 euros

Jornalismo de investigação quase inexistente

A segunda parte do artigo d’A União refere-se a este facto preocupante e que parece ser uma constante nas várias publicações do arquipélago. Entre os principais factores destacam-se a proximidade com fontes e leitores (nomeadamente as forças políticas e económicas, que deveriam ser vigiadas ou investigadas), assim como a falta de meios (fazer uma investigação pode ser caro e demorado).

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Por último, aproveito o exemplo do site d’A União para alertar para uma questão: o facto dos sites regionais muitas vezes não terem qualquer referência à localidade/região que abrangem. É preciso lembrar que um site, ao contrário do jornal, não tem constrangimentos geográficos, podendo ser lido por qualquer pessoa, em qualquer parte do mundo. Pessoa que pode nunca ter lido a edição em papel e ter entrado no site por acaso ou devido a um artigo específico que encontrou noutro lugar. Como tal torna-se fundamental que a localização de abrangência do jornal se torne clara em algum local da página (de preferência no header, perto do nome do site).

O site d’A União, por exemplo, não torna isso explícito. Apenas pelo teor das notícias se percebe que remete para os Açores, mas nem é claro se se foca mais nalguma ilha ou se pretende abranger todo o arquipélago.

Leiria tem um ‘novo’ Região

Imagine o diário i com conteúdos exclusivamente regionais. Assim se apresenta o remodelado semanário Região de Leiria, que hoje chegou às bancas – com 88 páginas, agrafadas. Uma mudança que surge no âmbito do 75.º aniversário, comemorado no passado dia 10.

Começando pelo formato, esperar para ver se será para manter. Refiro-me ao número de páginas, porque quanto à mancha útil (área de conteúdos), há uma semana que se sabia que iria reduzir (informação que fazia antever uma ‘colagem’ ao i). Sendo uma edição aniversária, talvez seja natural o maior número de páginas e conteúdos publicitários – cerca de 35 páginas.

GRAFiSMO
A remodelação gráfica é da autoria de Nick Mrozowski, director de arte do i, premiado como jornal europeu do ano (2009) e vencedor do SND para melhor design Portugal e Espanha. Neste particular, parece-me uma aposta ganha, a partilha de sinergias entre títulos do mesmo grupo. O semanário leiriense está – na minha opinião – agora mais bonito, ainda que não concorde com a mudança de logo (o anterior talvez se enquadrasse melhor nesta mudança, para além de que sua visualização numa escala reduzida era mais perceptível).

Ainda na parte gráfica, e à semelhança do i, preveligia-se a imagem. Neste particular não posso deixar de referir o destaque dado ao papel dos fotojornalistas. Um caminho natural, até porque os leitores do Região de Leiria passam a ter um híbrido entre jornal e revista. “O resultado é um jornal mais flexível para os editores e com capacidade para exibir a excelente fotografia que tem – e que reflecte a região e as pessoas”, explica Nick Mrozowski, no Guia de Leitura do Novo Região de Leiria.

Um pormenor igualmente interessante é a (também) partilha de sinergias regionais, com Mário Feliciano, natural das Caldas da Rainha, autor do novo tipo de letra – Majerit (desenhado para o espanhol El País) – usada pelo semanário. As infografias também ocupam um lugar de destaque, como seria de esperar, ora não fosse esta uma criação da ‘escola i’.

EDiTORiAS
“Para explicar a mudança que operámos no Região de Leiria, diríamos que abrimos novas janelas. Para quê? Para que o leitor possa ter uma visão mais completa e rigorosa da realidade. Porquê? Porque existimos para lhe mostrar e explicar o que se passa à sua volta.
É o que fazemos desde 1935”, pode ler-se no editorial assinado por Patrícia Duarte, directora executiva do semanário.

No Guia de Leitura é explicado o novo formato, que agora se divide em duas “macro-secções”: Região e Nós. A primeira, destinada a dar voz aos leitores, noticiar o dia-a-dia do distrito de Leiria, com os principais destaques da semana (incluindo desporto, mercado e negócios), e opinião, enquanto a segunda apresenta-se como “a novidade”, onde são tratados temas de (ainda) maior proximidade ao leitor – família, saúde, casa, carro, cultura e lazer. Ainda neste âmbito, e tal como referido, a semanário passa a dar prioridade às melhores imagens.

Ao nível da renovação dos colunistas, são no total 10, que se vão revezando, numa “colaboração quinzenal”. Sobre estes, cinco têm referência à sua ideologia política e outro aparece descrito como “membro da Assembleia Municipal [de Leiria]”. Feitas as contas à representatividade: dois do PS, um do PSD (jota), uma do CDS-PP, um do PCP e um do BE.

iNOVAÇÕES
Daquilo a que se poderá chamar de grandes novidades, destaco três i’s:

Interactividade. Mais atenção à Internet, nomeadamente às redes sociais – nesta edição surge já uma notícia a partir de comentários de uma figura pública da região na sua página do Facebook. Nos últimos tempos o Região de Leiria já mostrava alguma atenção a esta nova relação de proximidade (digital) com os leitores, algo que surge agora reforçado nas páginas do jornal. A Voz da Região é prova disso, logo na abertura do semanário.

Intimidade. Os jornalistas também têm opinião. Uma aposta do semanário, que dá voz aos responsáveis por cada editoria. Profissionais que estão mais familiarizados com determinados temas, mas que enquanto cidadãos também têm a sua opinião. Esta questão, que poderia levantar problemas éticos, surge bem esclarecida nas páginas do jornal, com a devida separação. Deste modo o leitor fica a saber – e até é uma forma de regular – o que diz o cidadão e o que diz o jornalista. Pessoalmente entendo-a como a possibilidade do leitor entrar na intimidade de determinada temática, por intermédio de quem lida com ela diariamente.

Identidade(s). Um jornal que dá música. O código de barras é um elemento que identifica um produto e o semanário pegou no conceito e associou-o a outra marca, para a área da música. Assim, sempre que os leitores quiserem ouvir as sugestões publicadas no jornal, basta dirigirem-se à Fnac Leiria e passar o código de barras nos leitores da loja. Uma parceria interessante e interactiva.

Diário de Leiria comemora 23.º aniversário

“Portugal precisa de urgentes reformas liberais” é o editorial da edição aniversaria – 13 de Outubro – do Diário de Leiria. Regista-se ainda o mesmo título e conteúdos similares aos editoriais das edições aniversárias dos restantes títulos do grupo – Diário de Coimbra, Diário de Aveiro e Diário de Viseu.