Leiria tem um ‘novo’ Região

Imagine o diário i com conteúdos exclusivamente regionais. Assim se apresenta o remodelado semanário Região de Leiria, que hoje chegou às bancas – com 88 páginas, agrafadas. Uma mudança que surge no âmbito do 75.º aniversário, comemorado no passado dia 10.

Começando pelo formato, esperar para ver se será para manter. Refiro-me ao número de páginas, porque quanto à mancha útil (área de conteúdos), há uma semana que se sabia que iria reduzir (informação que fazia antever uma ‘colagem’ ao i). Sendo uma edição aniversária, talvez seja natural o maior número de páginas e conteúdos publicitários – cerca de 35 páginas.

GRAFiSMO
A remodelação gráfica é da autoria de Nick Mrozowski, director de arte do i, premiado como jornal europeu do ano (2009) e vencedor do SND para melhor design Portugal e Espanha. Neste particular, parece-me uma aposta ganha, a partilha de sinergias entre títulos do mesmo grupo. O semanário leiriense está – na minha opinião – agora mais bonito, ainda que não concorde com a mudança de logo (o anterior talvez se enquadrasse melhor nesta mudança, para além de que sua visualização numa escala reduzida era mais perceptível).

Ainda na parte gráfica, e à semelhança do i, preveligia-se a imagem. Neste particular não posso deixar de referir o destaque dado ao papel dos fotojornalistas. Um caminho natural, até porque os leitores do Região de Leiria passam a ter um híbrido entre jornal e revista. “O resultado é um jornal mais flexível para os editores e com capacidade para exibir a excelente fotografia que tem – e que reflecte a região e as pessoas”, explica Nick Mrozowski, no Guia de Leitura do Novo Região de Leiria.

Um pormenor igualmente interessante é a (também) partilha de sinergias regionais, com Mário Feliciano, natural das Caldas da Rainha, autor do novo tipo de letra – Majerit (desenhado para o espanhol El País) – usada pelo semanário. As infografias também ocupam um lugar de destaque, como seria de esperar, ora não fosse esta uma criação da ‘escola i’.

EDiTORiAS
“Para explicar a mudança que operámos no Região de Leiria, diríamos que abrimos novas janelas. Para quê? Para que o leitor possa ter uma visão mais completa e rigorosa da realidade. Porquê? Porque existimos para lhe mostrar e explicar o que se passa à sua volta.
É o que fazemos desde 1935”, pode ler-se no editorial assinado por Patrícia Duarte, directora executiva do semanário.

No Guia de Leitura é explicado o novo formato, que agora se divide em duas “macro-secções”: Região e Nós. A primeira, destinada a dar voz aos leitores, noticiar o dia-a-dia do distrito de Leiria, com os principais destaques da semana (incluindo desporto, mercado e negócios), e opinião, enquanto a segunda apresenta-se como “a novidade”, onde são tratados temas de (ainda) maior proximidade ao leitor – família, saúde, casa, carro, cultura e lazer. Ainda neste âmbito, e tal como referido, a semanário passa a dar prioridade às melhores imagens.

Ao nível da renovação dos colunistas, são no total 10, que se vão revezando, numa “colaboração quinzenal”. Sobre estes, cinco têm referência à sua ideologia política e outro aparece descrito como “membro da Assembleia Municipal [de Leiria]”. Feitas as contas à representatividade: dois do PS, um do PSD (jota), uma do CDS-PP, um do PCP e um do BE.

iNOVAÇÕES
Daquilo a que se poderá chamar de grandes novidades, destaco três i’s:

Interactividade. Mais atenção à Internet, nomeadamente às redes sociais – nesta edição surge já uma notícia a partir de comentários de uma figura pública da região na sua página do Facebook. Nos últimos tempos o Região de Leiria já mostrava alguma atenção a esta nova relação de proximidade (digital) com os leitores, algo que surge agora reforçado nas páginas do jornal. A Voz da Região é prova disso, logo na abertura do semanário.

Intimidade. Os jornalistas também têm opinião. Uma aposta do semanário, que dá voz aos responsáveis por cada editoria. Profissionais que estão mais familiarizados com determinados temas, mas que enquanto cidadãos também têm a sua opinião. Esta questão, que poderia levantar problemas éticos, surge bem esclarecida nas páginas do jornal, com a devida separação. Deste modo o leitor fica a saber – e até é uma forma de regular – o que diz o cidadão e o que diz o jornalista. Pessoalmente entendo-a como a possibilidade do leitor entrar na intimidade de determinada temática, por intermédio de quem lida com ela diariamente.

Identidade(s). Um jornal que dá música. O código de barras é um elemento que identifica um produto e o semanário pegou no conceito e associou-o a outra marca, para a área da música. Assim, sempre que os leitores quiserem ouvir as sugestões publicadas no jornal, basta dirigirem-se à Fnac Leiria e passar o código de barras nos leitores da loja. Uma parceria interessante e interactiva.

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