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Futuro da imprensa regional dos Açores

O futuro da imprensa regional foi discutido ontem (dia 19) num colóquio em Ponta Delgada, nos Açores. A palestra integrava as comemorações do 175.º aniversário do Açoriano Oriental, o mais antigo jornal português.

Entre os oradores encontravam-se o director do jornal Açoriano Oriental, Paulo Simões e o  secretário regional da Presidência, André Bradford.

Aqui ficam algumas citações de ambos, retiradas do site da Rádio Horizonte Açores, onde se poderá ler a notícia na íntegra.

Paulo Simões

“Não podemos fechar o jornal em papel amanhã porque seria um erro estratégico brutal, mas também não podemos ignorar a Internet, temos é que saber condimentar a passagem do papel para a Internet”

“os jornais em papel não vão desaparecer, mas haverá uma separação entre projetos sérios, credíveis, profissionais e de qualidade e aqueles que são apenas jornais de vão de escada”

“Os editores, os chefes de redação, têm que descer um pouco à terra, olhar olhos nos olhos os leitores e perceber que a realidade que importa é a realidade local, é falar do que interessa às pessoas e não de questões mais ou menos esotéricas que interessam a meia dúzia”

André Bradford

“Embora não tenhamos ainda perdido as esperanças em ver a região tratada com o rigor e destaque merecido na imprensa nacional, não é na agenda dos média nacionais que um açoriano espera ver refletida a realidade da sua terra”

 

Links relacionados
“Jornal em papel não vai morrer mas tem de diversificar-se” (Açoriano Oriental)

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50 jornalistas compõem imprensa açoriana

“A União” publicou hoje alguns dados sobre a imprensa açoriana, divulgados pela Lusa. Aqui ficam alguns números:

  • 6 ilhas têm jornais (os Açores têm 9 ilhas)
  • Quantidade de publicações: 6 diários, 8 semanários e 3 mensários
  • Quantidade de profissionais (no total): 50 jornalistas, 4 estagiários e 142 colaboradores não remunerados
  • Salário: jornalistas profissionais recebem entre zero a 800 euros

Jornalismo de investigação quase inexistente

A segunda parte do artigo d’A União refere-se a este facto preocupante e que parece ser uma constante nas várias publicações do arquipélago. Entre os principais factores destacam-se a proximidade com fontes e leitores (nomeadamente as forças políticas e económicas, que deveriam ser vigiadas ou investigadas), assim como a falta de meios (fazer uma investigação pode ser caro e demorado).

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Por último, aproveito o exemplo do site d’A União para alertar para uma questão: o facto dos sites regionais muitas vezes não terem qualquer referência à localidade/região que abrangem. É preciso lembrar que um site, ao contrário do jornal, não tem constrangimentos geográficos, podendo ser lido por qualquer pessoa, em qualquer parte do mundo. Pessoa que pode nunca ter lido a edição em papel e ter entrado no site por acaso ou devido a um artigo específico que encontrou noutro lugar. Como tal torna-se fundamental que a localização de abrangência do jornal se torne clara em algum local da página (de preferência no header, perto do nome do site).

O site d’A União, por exemplo, não torna isso explícito. Apenas pelo teor das notícias se percebe que remete para os Açores, mas nem é claro se se foca mais nalguma ilha ou se pretende abranger todo o arquipélago.

Um olhar pelo portal da imprensa regional

O site www.imprensaregional.com.pt agrega sites noticiosos de cariz local e regional, integrando-se “na revisão do regime de incentivo à leitura e ao acesso à informação e dirige-se, fundamentalmente, aos leitores de publicações periódicas de informação geral de âmbito regional”.

O projecto conta já com 3 anos, no entanto o seu conteúdo é ainda modesto. A ele estão agregados apenas 47 sites em todo o país, existindo distritos nos quais nenhum meio aderiu ainda ao portal: Beja, Setúbal, Vila Real, Viseu e Região Autónoma da Madeira.

Para além disso, dos 47 sites inseridos, apenas 25 são “reais”, na medida em que se encontram com conteúdos actualizados. Os restantes ou não têm qualquer conteúdo ou têm apenas uma ou duas notícias “de teste”. A estes há a acrescentar as vezes repetidas em que o mesmo site aparece (mas em concelhos diferentes), como é exemplo o site Terras do Homem, que aparece para os concelhos de Amares, Terras de Bouro e Vila Verde (distrito de Braga).

Não sei ao certo quantos meios locais e regionais portugueses existem online, mas sei de vários que aqui não constam e é por isso que considero o número modesto. Resta saber as razões.

Dados:

Distritos Número de Concelhos com site Número de sites Número de sites com conteúdos (sim)
Aveiro 2 2 1
Beja 0    
Braga 4 2 2
Bragança 2 2 1
Castelo Branco 1 1 1
Coimbra 5 5 2
Évora 2 2 1
Faro 6 5 3
Guarda 2 2 0
Leiria 2 2 1
Lisboa 1 1 0
Portalegre 2 2 1
Porto 12 12 8
Santarém 2 2 2
Setúbal 0    
Viana do Castelo 2 2 1
Vila Real 0    
Viseu 0    
Açores 2 2 1
Madeira 0    
TOTAIS 47 44 25

Concelhos com sites (N=47), por distrito: Aveiro (Albergaria-a-Velha e Aveiro), Braga (Amares, Cabeceiras de Basto, Terras de Bouro, Vila Verde), Bragança (Bragança, Mirandela), Castelo Branco (Castelo Branco), Coimbra (Arganil, Coimbra, Figueira da Foz, Lousã, Tábua), Évora (Évora), Faro (Albufeira, Loulé, Monchique, Portimão, Silves, Tavira), Guarda (Guarda), Leiria (Caldas da Rainha, Peniche), Lisboa (Sintra), Portalegre (Alter do Chão, Elvas), Porto (Amarante, Baião, Lousada, Maia, Marco de Canaveses, Matosinhos, Paços de Ferreira, Porto, Trofa), Santarém (Ourém), Viana do Castelo (Arcos de Valdevez, Ponte de Lima), Açores (Ponta Delgada, Vila do Porto)